02/01/2017

[Lançamento] Edição Especial + Posters de Cinquenta Tons Mais Escuros - E. L. James - @intrinseca


A Edição especial de Cinquenta Tons Mais Escuros da autora aclamada E. L. James chega as livrarias no próximo dia em 03 de janeiro.



Uma edição do livro, repleta de extras e conteúdos inéditos, com capa inspirada no filme, a edição especial tem fotos e comentários da autora sobre os bastidores da sequência cinematográfica de Cinquenta Tons de Cinza.

Além disso tudo a Editora Intrínseca traz na edição  e um trecho antecipado de Cinquenta tons mais escuros pelos olhos de Christian, próximo romance da autora.
Demais, não? Compre o seu na Amazon ou na Saraiva.



"Assustada com o lado obscuro do belo e atormentado Christian Grey, Anastasia Steele põe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresário e decide se concentrar em sua carreira: ela acaba de conseguir um emprego em uma editora de livros de Seattle. Mas o desejo que sente por Christian ainda domina seus pensamentos e, quando ele propõe reatarem o namoro, ela não consegue resistir. Por amor a Ana, Christian está disposto a enfrentar seus demônios interiores. Em pouco tempo, porém, ela descobre segredos do passado de seu amargurado e dominador parceiro que jamais imaginou serem possíveis, e se vê obrigada a tomar uma importante decisão."


Posters




Leia o primeiro capítulo do romance.


Cinquenta Tons Mais Escuros – Capítulo 1 – E. L. James


Tenho sobrevivido durante três dias sem Christian, e é meu primeiro dia de trabalho. Tem sido uma boa distração. O tempo voou por entre uma névoa de caras novas, trabalho a fazer e Sr. Jack Hyde. Sr. Jack Hyde… ele sorri para mim, com seus olhos azuis cintilantes, enquanto ele se inclina contra a minha mesa.

— Excelente trabalho, Ana. Eu acho que nós vamos fazer uma grande equipe.

De alguma forma, eu consegui erguer a cabeça para curvar meus lábios em um semblante de um sorriso.

— Eu estou indo para casa, se estiver tudo bem com você, — eu murmuro.

— Claro, é cinco e meia. Vejo você amanhã.

— Boa noite, Jack.

— Boa noite, Ana.

Pegando a minha bolsa, eu encolho os ombros no meu casaco e saio. Para o ar do início da noite em Seattle, eu respiro fundo. Ele não consegue preencher o vazio no meu peito, um vazio que está presente desde sábado de manhã, uma lembrança dolorosa e oca, da minha perda. Eu ando em direção ao ponto de ônibus com a cabeça baixa, olhando para meus pés, meio triste por estar sem minha amada Wanda, meu velho Fusca… ou o Audi.

Eu fecho imediatamente a porta desse pensamento. Não. Não posso pensar nele. Claro, eu posso comprar um carro, um carro novo, agradável. Eu suspeito que ele foi demasiado generoso em seu pagamento, e o pensamento me deixa com um gosto amargo na boca, mas eu o rejeitei e devo manter a minha mente fechada e o mais vazia possível. Eu não posso pensar nele. Eu não quero começar a chorar de novo, não na rua.

O apartamento está vazio. Tenho saudades de Kate, e eu a imagino deitada em uma praia em Barbados, bebericando um coquetel gelado. Ligo a televisão de tela  plana,  mais  para  ter  algum  ruído  do  que  para  preencher  o  vácuo  e proporcionar uma aparência de companhia, mas eu não ouço ou assisto. Eu sento e olho fixamente para a parede de tijolos. Estou dormente. Eu não sinto nada, apenas dor. Quanto tempo eu vou suportar isso?

A campainha da porta me tira da minha angústia e meu coração salta uma batida. Quem poderia ser? Eu aperto o interfone.

—Entrega para a Sra. Steele. — Uma voz cansada e entediada responde, e a decepção me atravessa. Eu desço as escadas com indiferença, para encontrar um jovem mascando chiclete ruidosamente, segurando uma caixa de papelão grande, e inclinando-se contra a porta da frente. Eu assino o recebimento do pacote e o levo para cima, comigo. A caixa é enorme e surpreendentemente leve. Dentro estão duas dúzias de rosas brancas com haste longa, e um cartão.

Parabéns pelo seu primeiro dia de trabalho. Espero que tudo tenha ocorrido bem.

E obrigado pelo planador. Isso foi muito atencioso. Eu o tenho com orgulho sobre a minha mesa.

Christian


Olho para o cartão digitado, e o buraco no meu peito se expande. Sem dúvida,  sua  assistente  enviou  esta  mensagem.  Christian,  provavelmente, tem muito pouco a ver com isso. É doloroso demais só de pensar. Examino as rosas, elas são lindas, e eu não posso jogá-las no lixo. Obedientemente, eu vou para a cozinha, para procurar um vaso.

E assim se desenvolve um padrão: acordar, trabalhar, chorar e dormir. Bem, tentar dormir. Eu não posso escapar dele, mesmo em meus sonhos. Olhos ardentes cinzas, seu olhar perdido, seu cabelo reluzente e brilhante, tudo me assombra. E a música… tanta música, que eu não posso suportar ouvir qualquer música. Eu tenho muito cuidado para evitá-la a todo custo. Até mesmo os jingles em comerciais me fazem tremer.

Eu não falei com ninguém, nem mesmo com minha mãe ou Ray. Eu não tenho condições de conversar com ninguém agora. Não, eu mão quero nada disso. Eu me tornei uma ilha. Uma terra devastada pela guerra, onde nada cresce e os horizontes são sombrios. Sim, esta sou  eu. Sou capaz de conversar impessoalmente no trabalho, mas só isso. Se eu falar com minha mãe, eu sei que vou quebrar ainda mais e já não tenho mais nada para quebrar.

Estou encontrando dificuldades para comer. Na hora do almoço, na quarta- feira, eu consegui tomar um copo de iogurte, e é a primeira coisa que eu comi desde sexta-feira. Estou sobrevivendo com uma tolerância recém descoberta de café expresso com leite e Coca Cola Diet. A cafeína que me faz continuar, mas está me deixando ansiosa.

Jack começou a pairar sobre mim, me irritando, me fazendo perguntas pessoais. O que ele quer? Eu sou educada, mas eu preciso mantê-lo a distancia de um braço.

Sento-me e começo a vasculhar uma pilha de correspondência dirigida para ele, e eu estou satisfeita com a distração do trabalho adicional. Meus e-mails chegaram, e eu rapidamente reviso para ver de quem é.

Puta merda. Um e-mail de Christian. Oh não, não aqui… não no trabalho.


De: Christian Grey
Assunto: Amanhã
Data: 08 de junho de 2011 14:05
Para: Anastásia Steele


Cara Anastásia

Perdoe essa intromissão no seu trabalho. Espero que ele esteja indo bem. Você recebeu minhas flores? Lembrei que amanhã é a abertura da exposição do seu amigo na galeria, e eu tenho certeza que você não teve tempo para comprar um carro, e é uma longa viagem. Eu ficaria mais do que feliz em levá-la, se você assim desejar. Me informe, por favor.


Christian Grey
CEO, Grey Participações e Empreendimentos Inc.


Lágrimas inundam meus olhos. Eu apressadamente deixo a minha mesa e vou para o banheiro para escapar em uma das cabines. A exposição de José. Droga. Eu tinha esquecido tudo sobre ele, e eu prometi a ele que eu iria. Merda, Christian está certo; como vou chegar lá?

Pressiono minha testa. Por que José não telefonou? Pensando bem, por que ninguém me telefonou? Eu estive tão distraída, que não reparei que o meu telefone celular estava muito silencioso.

Merda! Eu sou uma idiota! Ele ainda está desviando as chamadas para o Blackberry. Santo inferno. Christian estava recebendo as minhas chamadas, ao menos que ele tenha jogado fora o Blackberry. Como ele conseguiu o meu endereço de e-mail?

Ele sabe até o tamanho do meu sapato, um endereço de e-mail não seria um problema difícil de resolver.

Posso vê-lo novamente? Será que eu poderia suportar isso? Eu quero vê-lo? Fecho os meus olhos e inclino a cabeça para trás, enquanto a tristeza cai sobre mim. Claro que sim.

Talvez, talvez eu possa lhe dizer que eu mudei de ideia… Não, não, não. Eu não posso estar com alguém que tem prazer em me infligir dor, alguém que não pode me amar.

Memórias  torturantes  lampejam  através  da  minha  mente,  o  planador, andar de mãos dadas, os beijos, a banheira, sua gentileza, seu humor, e seu escuro e sexy olhar pensativo. Sinto falta dele. Já se passaram cinco dias, cinco dias de agonia, que pareceram com uma eternidade.

Eu envolvo meus braços ao redor do meu corpo, me abraçando com força, me segurando. Sinto falta dele. Eu realmente sinto falta dele… Eu o amo. É simples assim.

Eu choro sozinha à noite, até dormir, desejando que eu não tivesse ido embora, desejando que ele pudesse ser diferente, desejando que estivéssemos juntos. Quanto tempo vai durar esse sentimento horrível e esmagador? Estou no purgatório.

Anastásia Steele, você está no trabalho! Eu devo ser forte, mas eu quero ir a exposição de José, e no fundo, a masoquista em mim quer ver Christian. Tomando uma respiração profunda, eu voltar para minha mesa.


De: Anastásia Steele
Assunto: Amanhã
Data: 08 de junho de 2011 14:25
Para: Christian Grey


Oi Christian

Obrigada pelas flores, são lindas. Sim, eu gostaria de receber uma carona. Obrigada.

Anastásia Steele
Assistente de Jack Hyde, Coordenador Editorial, SIP


Verifico o meu telefone, descubro que ele está programado para desviar as chamadas. Jack está em uma reunião, então eu rapidamente ligo para José.

— Oi, José. É Ana.

— Olá, estranha. — Seu tom é tão caloroso e acolhedor que é quase o suficiente para me empurrar para a borda novamente.

— Eu não posso falar muito. A que horas devo estar lá amanhã, para sua exposição?

— Você virá amanha? — Ele parece animado.

— Sim, claro. — Eu sorrio meu primeiro sorriso genuíno em cinco dias, enquanto imagino seu sorriso largo.

— Às sete e meia.

— Vejo você depois. Adeus, José.

— Adeus, Ana.


De: Christian Grey
Assunto: Amanhã
Data: 08 de junho de 2011 14:27
Para: Anastásia Steele

Cara Anastásia

A que horas devo buscá-la?


Christian Grey
CEO, Grey Participações e Empreendimentos Inc.



De: Anastásia Steele
Assunto: Amanhã
Data: 08 de junho de 2011 14:32
Para: Christian Grey

A exposição de José começa às 7:30. Que horas você sugere?


Anastásia Steele
Assistente de Jack Hyde, Coordenador Editorial, SIP


De: Christian Grey
Assunto: Amanhã
Data: 08 de junho de 2011 14:34
Para: Anastásia Steele


Cara Anastásia

Portland é meio longe. Vou buscá-lo às 5:45. Estou ansioso para vê-la.


Christian Grey
CEO, Grey Participações e Empreendimentos Inc.


De: Anastásia Steele
Assunto: Amanhã
Data: 08 de junho de 2011 14:38
Para: Christian Grey

Vejo você então.


Anastásia Steele
Assistente de Jack Hyde, Coordenador Editorial, SIP



Oh meu Deus. Vou ver Christian, pela primeira vez em cinco dias, meu espírito se levanta um pouco e me permito querer saber como ele está.

Será que ele sentiu minha falta? Provavelmente não, não como eu senti a dele. Será que ele encontrou uma nova submissa, seja lá de onde elas venham? O pensamento é tão doloroso que eu o dispenso imediatamente. Eu olho para a pilha de correspondência para Jack que precisa ser classificada, e tento empurrar Christian para fora da minha cabeça, mais uma vez.

Naquela noite, na cama, eu viro e reviro, tentando dormir. É a primeira vez que eu não chorei até dormir.

Em minha mente, eu visualizo o rosto de Christian na última vez que o vi, quando saí do seu apartamento. Sua expressão torturada me assombra. Lembro que ele não queria que eu fosse, o que era estranho. Por que eu iria ficar quando as  coisas  tinham  atingido tal impasse? Estávamos sempre fugindo de nossos próprios problemas, meu medo da punição, seu medo de… de quê? Amar?

Virando de lado, eu abraço meu travesseiro, cheia de uma grande tristeza. Ele acha que não merece ser amado. Por que ele se sente assim? Tem algo a ver com sua criação? Com sua mãe biológica, a prostituta viciada em crack? Meus pensamentos me atormentam até as primeiras horas da madrugas, até que finalmente, eu caio em um agitado e exausto sono.

O dia se arrasta e arrasta, Jack é extraordinariamente atencioso. Eu suspeito que é devido ao vestido ameixa de Kate e as botas negras de salto alto, que eu roubei do seu armário, mas eu não vou me debruçar sobre esse pensamento. Eu resolvi que iria comprar roupas com o meu primeiro salário. O vestido está mais solto em mim do que estava antes, mas eu finjo não perceber.

Finalmente, é  cinco  e  meia, e  eu  pego  meu  casaco  e  bolsa, tentando acalmar meus nervos. Eu vou vê-lo!

— Você tem um encontro esta noite? — Jack pergunta enquanto ele passeia por minha mesa no seu caminho de saída.

— Sim. Não. Não realmente.

Ele  levanta  uma  sobrancelha  para  mim, o  seu  interesse  é  claramente aberto.

— Namorado? Eu ruborizo.

— Não, um amigo. Um ex-namorado.

— Talvez amanhã você pudesse tomar uma bebida depois do trabalho. Você teve  uma  estelar primeira semana,  Ana.  Devemos comemorar.  —  Ele  sorri e alguma emoção desconhecida esvoaça em seu rosto, fazendo-me inquieta.

Colocando as mãos nos bolsos, ele passa pelas portas duplas. Eu franzo a testa para as suas costas. Beber com o chefe, isso é uma boa ideia?

Sacudo a cabeça. Eu tenho uma noite com Christian Grey para enfrentar em primeiro lugar. Como vou fazer isso? Corro para o banheiro para fazer os ajustes de última hora.

No grande espelho na parede, eu dou uma olhada, muito dura em meu rosto. Eu estou com o meu jeito habitual pálida, olheiras muito grandes ao redor dos meus olhos. Eu pareço magra, assombrada.

Puxa, eu gostaria de saber como usar maquiagem. Eu aplico algum rímel, delineador e aperto as minhas bochechas, na esperança de trazer um pouco de cor a sua maneira. Arrumo o cabelo para que ele caia artisticamente pelas minhas costas, eu respiro profundamente. Isto é tudo o que posso fazer.

Nervosa, eu ando pelo hall de entrada com um sorriso e uma aceno para Claire, na recepção. Eu acho que eu e ela poderíamos nos tornar amigas. Jack está falando com Elizabeth quando eu saio pelas portas. Com um largo sorriso, ele se apressa em abri-las para mim.

— Depois de você, Ana, — ele murmura.

— Obrigada. — Eu sorrio, envergonhada.

Lá fora, no meio-fio, Taylor está esperando. Ele abre a porta traseira do carro. Olho hesitante para Jack que me seguiu. Ele está olhando para o SUV Audi com desânimo.

Eu viro e subo na parte de trás, e lá está Christian Grey sentado, vestindo seu terno cinza, sem gravata, a camisa branca aberta no colarinho. Seus olhos cinzentos estão brilhando.

Minha boca esta seca. Ele parece glorioso, exceto que ele está olhando para mim com cara feia. Oh não!

— Quando foi a última vez que você comeu? — Ele dispara,    enquanto

Taylor fecha a porta atrás de mim.

Droga.

— Olá, Christian. Sim, é bom ver você também.

— Eu não quero sua boca inteligente agora. Responda-me. — Seus olhos ardem.

Puta merda. .

— Um… Eu tomei um iogurte na hora do almoço. Oh, e uma banana.

— Quando foi a última vez que uma boa refeição? — Pergunta ele, com azedume.

Taylor desliza para o banco do motorista, liga o carro, e puxa para o tráfego.

Olho para cima e Jack está acenando para mim, como se pudesse me ver através do vidro escuro, bem não sei. Aceno de volta.

— Quem é esse? — Christian dispara.

— Meu chefe. — Eu olho para o belo homem ao meu lado, e sua boca está apertada.

— Bem? Sua última refeição?

— Christian, realmente isso não é da sua conta, — Eu murmuro, sentindo- me extraordinariamente corajosa.

— Aconteça o que acontecer, sempre será da minha conta. Diga-me.

Não, não é. Eu gemo de frustração, desvio meu olhar para o céu enquanto Christian aperta os olhos. E pela primeira vez em muito tempo, eu quero rir. Eu sofro para sufocar o riso que ameaça borbulhar. O rosto de Christian amolece enquanto eu me esforço para manter uma cara séria, e vejo um traço de um sorriso atravessar seus lábios maravilhosamente esculpidos.

— Bem? — Pergunta ele, com sua voz suave.

— Pasta Alla Vongole, sexta-feira passada, — eu sussurro.

Ele fecha os olhos enquanto a fúria e, eventualmente, o arrependimento, varrem todo o seu rosto. — Eu vejo, — diz ele, com sua voz inexpressiva. —Parece que você perdeu pelo menos cinco quilos, possivelmente mais, desde então. Por favor, coma, Anastásia, — ele me repreende.

Olho para baixo, para os dedos entrelaçados no meu colo. Por que ele sempre me faz sentir como uma criança errante?

Ele muda de posição e se dirige em minha direção.

— Como vai você? — pergunta ele, sua voz bem suave.

Bem, eu estou realmente na merda… Eu engulo. —Se eu te dissesse que eu estou bem, eu estaria mentindo.

Ele inala drasticamente. — Eu também, — ele murmura. Estende o braço e aperta minha mão. — Eu sinto sua falta, — acrescenta.

Ah, não. Pele contra pele.

— Christian, Eu…

— Ana, por favor. Nós precisamos conversar.

Eu vou chorar. Não.

— Christian, eu… por favor… Eu chorei muito, — eu sussurro, tentando manter minhas emoções sob controle

— Oh, querida, não. — Ele puxa a minha mão, e antes que eu perceba que estou em seu colo. Ele tem seus braços em volta de mim, e seu nariz está no meu cabelo. —Eu senti sua falta demais, Anastásia, — ele respira.

Eu quero lutar para sair dos seus domínios, para manter alguma distância, mas seus braços estão ao meu redor. Ele está me pressionando contra o peito. Eu derreto. Oh, este é o lugar onde eu quero estar.

Eu descanso minha cabeça contra ele, e ele beija meus cabelos repetidamente. Este é o meu lar. Ele tem cheiro de linho, amaciante de roupas, corpo limpo e o meu favorito, cheiro de Christian. Por um momento, permito-me a ilusão de que tudo ficará bem, e isso alivia a minha alma devastada.

Poucos  minutos  depois,  Taylor  conduz  o  carro  para  uma  parada  na calçada, mesmo que ainda estejamos na cidade.

— Vem, — Christian me tira de seu colo — nós ficamos aqui. O quê?

— O heliponto é no topo deste edifício. — Christian olha em direção ao prédio como meio de explicação.

Claro. Charlie Tango. Taylor abre a porta e eu deslizo para fora. Ele me dá um sorriso quente e paternal que me faz sentir segura. Eu sorrio de volta.

— Eu deveria lhe devolver seu lenço.

— Mantenha-o, Srta. Steele, com os meus melhores cumprimentos.

Eu ruborizo, enquanto Christian vem ao redor do carro e pega a minha mão. Ele olha intrigado para Taylor que olha impassível de volta para ele, não revelando nada.

— Às nove? — Christian diz-lhe.

—Sim, senhor.

Christian acena, enquanto se vira e me leva pelas portas duplas para o hall de entrada grandioso. Eu me deleito com a sensação de sua mão grande, seus dedos  longos  e  hábeis enrolados  em torno  de  mim. Eu sinto  aquela  pressão familiar. Estou atraída como Ícaro indo para o seu sol. Eu já fui queimada e aqui estou eu novamente.

Alcançando os elevadores, ele aperta o botão de chamada. Eu olho para ele, e ele está usando seu meio sorriso enigmático. Quando as portas abrem, ele solta minha mão e me convida para entrar.

As portas se fecham e eu arrisco uma segunda olhada. Ele olha para mim, com seus olhos cinzentos vivos, e a eletricidade está lá, no ar, entre nós. É palpável. Eu quase posso tocá-la, pulsando entre nós, atraindo-nos um para o outro.

— Oh meu Deus, — eu ofego enquanto me deleito brevemente na intensidade desta atração primitiva.

— Eu sinto isso também, — diz ele, seus olhos estão nublados e intensos.

O desejo pulsa de forma obscura e mortal em minha virilha. Ele aperta a minha  mão  e  roça  meus  dedos  com  o  polegar, todos  os  meus  músculos  se apertam, deliciosamente, dentro de mim.

Nossa senhora. Como ele ainda pode fazer isso comigo?

— Por favor, não morda o lábio, Anastásia, — ele sussurra.

Eu olho para ele, liberando o meu lábio. Eu o quero. Aqui, agora, no elevador. Como eu não poderia quer?

— Você sabe o que isso faz comigo, — ele murmura.

Oh, eu ainda o afeto. Minha deusa interior desperta de seu mau humor de cinco dias.

De repente, as portas se abrem, quebrando o feitiço, e estamos no telhado. Esta  ventando,  e  apesar  de  usar  a  minha  jaqueta  preta, eu  estou  com  frio. Christian coloca o braço em volta de mim, me puxando para o seu lado, e nos apressamos para onde está Charlie Tango, no centro do heliponto, com as pás do rotor girando lentamente.

Um homem alto, loiro, de queixo quadrado, vestindo um terno escuro salta e, abaixando-se, corre em direção a nós. Troca um aperto de mão com Christian e ele grita por cima do ruído dos rotores.

— Pronto para ir, senhor. Ela é toda sua!

— Toda a checagem foi feita?

— Sim, senhor.

— Você vem buscá-la em torno de oito e meia?

— Sim, senhor.

— Taylor está esperando por você lá na frente.

— Obrigado, Sr. Grey. Tenha um voo seguro para Portland. Senhora. — Ele me saúda. Sem soltar-me, Christian acena, se abaixa e leva-me à porta do helicóptero.

Uma vez lá dentro, ele me afivela firmemente no meu acento e aperta com força os cintos. Ele me joga um olhar astuto e um sorriso secreto.

—Isso deve mantê-la em seu lugar, — ele murmura. —Devo dizer que gosto deste cinto em você. Não toque em nada.

Eu fico totalmente corada, e ele corre o dedo indicador na minha bochecha, antes de me entregar os fones de ouvido. Eu gostaria de tocar em você, também, mas você não vai me deixar. Eu faço uma carranca para ele. Além disso, ele pôs as tiras tão apertadas que eu mal consigo me mover.

Ele senta em sua cadeira e afivela a si mesmo, em seguida, começa a executar a checagem de pré-vôo. Ele é tão competente. É muito sedutor. Ele coloca seus fones de ouvido e aciona um interruptor e a velocidade dos rotores aumenta, ensurdece-me.

Virando-se, ele olha para mim. — Pronta, querida? — Sua voz ecoa através dos fones.

— Sim.

Ele sorri com seu sorriso de menino. Uau. Faz tanto tempo que eu não vejo isso.

— Sea-Tac torre, este é Charlie Tango-Tango Echo Hotel, liberado para decolagem para Portland via PDX. Por favor, confirme, confirme.

A voz do controlador de tráfego responde, ela dá as instruções necessárias.

— Confirmo, torre, Charlie Tango posição, confirmo e fim.— Christian vira dois interruptores, agarra o controle, e o helicóptero sobe lenta e suavemente para o céu da noite.

Seattle e meu estômago caem para longe de nós, e há tanta coisa para ver.

— Nós perseguimos o amanhecer, Anastásia, agora o crepúsculo, — sua voz vem através dos fones de ouvido. Viro-me para olhá-lo surpreendida.

O que isso significa? Como ele pode dizer essas coisas tão românticas? Ele sorri, e eu não posso deixar de sorrir timidamente para ele.

— Assim, com o sol da tarde, há mais para se ver neste momento, — ele diz.

A última vez que viajei para Seattle estava escuro, mas esta noite a vista é espetacular, literalmente fora deste mundo. Estamos no meio dos edifícios mais altos, indo mais e mais alto.

— O Escala é ali. — Ele aponta para o edifício. — O Boeing está lá, e ali você pode ver o Obelisco Espacial1.

Eu viro a minha cabeça. — Eu nunca estive lá.

— Vou levar você, podemos comer lá.

O quê?

— Christian, nós terminamos.

— Eu sei. Mas eu ainda posso levar você lá e alimentá-la. —Ele olha pra mim.

Eu sacudo a cabeça e ruborizo, antes de tomar uma abordagem menos agressiva. — É muito bonito aqui, obrigada.

— Impressionante, não é?

— Impressionante que você possa fazer isso.

— Você me lisonjeia, Srta. Steele? Mas eu sou um homem de muitos talentos.

— Estou plenamente consciente disso, Sr. Grey.

Ele se vira e dá um sorriso forçado para mim, e pela primeira vez em cinco dias, eu relaxo um pouco. Talvez isso não vá ser tão ruim.

— Como está o novo emprego?

— Bem, obrigada. É interessante.

— Como é o seu novo chefe?

— Oh, ele está bem. — Como posso dizer a Christian que Jack me deixa desconfortável? Christian volta a olhar para mim.

— O que há de errado? — Pergunta ele.

— Além do óbvio, nada.

— O óbvio?

— Oh, Christian, você às vezes é realmente muito obtuso.

— Obtuso? Eu? Eu não tenho certeza se aprecio o seu tom, Srta. Steele.

— Bem, então não aprecie.

Seus lábios se contorcem em um sorriso. — Eu senti falta da sua boca inteligente.

Eu suspiro e eu quero gritar, eu senti falta de você, de você todo, e não apenas de sua boca! Mas eu continuo calma e olho para fora do aquário de vidro que  é  o  para-brisa  do  Charlie  Tango,  enquanto  continuamos  para  o  sul.  O 1 É uma torre de 184 metros, edificada em Seattle crepúsculo está a nossa direita, o sol está baixando no horizonte, em chamas de fogo laranja e eu sou Ícaro novamente, voando muito perto.


O crepúsculo tem nos seguido de Seattle, e o céu está repleto de opalas, rosas, e águas marinhas, tecidos perfeitamente em conjunto, como só a Mãe Natureza sabe fazer. É uma noite clara e nítida, e as luzes de Portland cintilam e piscam nos acolhendo, enquanto Christian maneja o helicóptero para baixo no heliporto. Estamos no topo de um edifício com uma estranha construção de tijolos marrons em Portland, de onde saímos a menos de três semanas atrás.

Jesus, nós nos conhecemos há tão pouco tempo. No entanto, eu sinto como se o conhecesse por toda a vida. Ele desliga o Charlie Tango, apertando vários botões para parar os rotores e, finalmente, tudo o que ouço é a minha própria respiração através dos fones. Hmm. Isto me recorda minha breve experiência em Thomas Tallis. Eu empalideço. Eu não quero ir para lá agora.

Christian desafivelou seus cintos e se inclina para desfazer os meus.

— Boa viagem, Srta. Steele? — Ele pergunta, sua voz suave, seus olhos cinzentos brilhando.

— Sim, obrigada, Sr. Grey, — eu respondo educadamente.

— Bem, vamos ver as fotos do menino. — Ele estende a sua mão para mim e eu a pego para sair do Charlie Tango.

Um homem de cabelos grisalhos, com uma barba, caminha ao nosso encontro, com um largo sorriso, e eu reconheço-o como o senhor da última vez que estivemos aqui.

— Joe. — Christian sorri e solta minha mão, para apertar a de Joe calorosamente.

— Mantenha-a segura para Stephan. Ele vai estar aqui em torno de oito ou nove.

— Vou fazer, Sr. Grey. Senhora, — diz ele, acenando para mim. —No andar de baixo seu carro o espera, senhor. Oh, e o elevador está na manutenção, você vai ter que usar as escadas.

— Obrigado, Joe.

Christian pega a minha mão, e vamos para as escadas de emergência.

— É bom para você que só são três andares, com estes saltos, — ele resmunga para mim, com desaprovação.

Não é brincadeira.

— Você não gosta das botas?

— Eu gosto muito delas, Anastásia. — Seu olhar escurece e acredito que ia dizer outra coisa, mas ele se detém. —Venha. Vamos com calma. Eu não quero que você caia e quebre seu pescoço.


Nós  sentamos  em  silêncio, enquanto  nosso  motorista nos  leva  para  a galeria. Minha ansiedade voltou com força total, e eu percebo que o nosso tempo no Charlie Tango foi o olho da tempestade. Christian está bem quieto, pensativo… apreensivo inclusive, o nosso bom humor, de antes, se dissipou. Há tanta coisa que eu quero dizer, mas esta viagem é muito curta. Christian olha pensativo para fora da janela.

— José é apenas um amigo, — eu murmuro.

Christian se volta e olha para mim, seus olhos estão escuros e alertas, não transparecendo nada. Sua boca, ah, sua boca é uma distração espontânea. Lembro-me dela em mim, em todos os lugares. Minha pele aquece. Ele se move em seu acento e franze a testa.

— Esses olhos tão lindos estão muito grandes em seu rosto, Anastásia. Por favor, diga que você vai comer.

— Sim, Christian, eu vou comer, — eu respondo automaticamente, em um chavão.

— Estou falando sério.

— Você está? — Eu não posso manter o desprezo da minha voz. Honestamente, a audácia deste homem, este homem que me colocou no inferno ao longo dos últimos dias. Não, isso está errado. Eu me coloquei no inferno. Não. Foi ele. Sacudo a cabeça, confusa.

— Eu não quero brigar com você, Anastásia. Eu quero você de volta, e eu quero que você saudável, — diz ele em voz baixa.

O quê? O que significa isso?

— Mas nada mudou. — Você ainda tem Cinquenta Tons ruins.

— Vamos falar sobre isso no caminho de volta. Nós chegamos.

O carro estaciona na frente da galeria, e Christian sai, deixando-me sem palavras. Ele abre a porta do carro para mim, e eu saio.

— Por que você faz isso? — Minha voz é mais alta do que eu esperava.

— Fazer o quê? — Christian diz surpreendido.

— Dizer algo como isso e depois parar.

— Anastásia, nós chegamos. Você não queria estar aqui. Vamos fazer isso e depois falamos. Eu particularmente não quero uma cena na rua.

Eu fico passada e olho ao redor. Ele está certo. É muito público. Eu pressiono os meus lábios e ele olha para mim.

— Ok, — eu resmungo de mau humor. Pegando minha mão, ele me leva para dentro do prédio.

Estamos em um armazém convertido, com paredes de tijolos, piso de madeira escura, teto branco e pilastras brancas. É moderno e arejado, e há várias pessoas que andam por todo o salão da galeria, bebendo vinho e admirando o trabalho de José. Por um momento, meus problemas desaparecem, quando eu entendo que José realizou o seu sonho. Um caminho a percorrer, José!

— Boa noite e bem vindo a amostra de José Rodriguez. — Uma jovem mulher, vestida de preto, com cabelo castanho muito curto, batom vermelho brilhante e grandes brincos de argola, nos cumprimenta. Ela olha rapidamente para mim. Então ela observa Christian, muito mais tempo do que é estritamente necessário, então ela se vira para mim, piscando enquanto cora.

Minha testa enruga. Ele é meu ou era. Tento não fazer uma cara feia para ela. Quando seus olhos recuperam seu foco, ela pisca novamente.

— Oh, é você, Ana. Nós queremos a sua opinião sobre tudo isto, também.

—Sorrindo, ela me entrega um folheto e me dirige a uma mesa com bebidas e lanches.

Como ela sabe meu nome?

— Você a conhece? — Christian faz uma carranca.

 Sacudo a cabeça, igualmente intrigada. Ele dá de ombros, distraído.

— O que você gostaria de beber?

— Eu vou tomar um copo de vinho branco, obrigado.

Sua testa enruga, mas ele mantém sua língua e vai para o bar.

— Ana!

 José aparece através de uma multidão de pessoas.

Caramba! Ele está usando um terno. Ele parece estar bem e está sorrindo para mim. Ele envolve-me em seus braços, abraçando-me com força. E é tudo que eu posso fazer para não chorar. Meu amigo, meu único amigo, enquanto Kate está fora. Lágrimas dançam em meus olhos.

— Ana, eu estou tão feliz que você veio, — ele sussurra em meu ouvido, em seguida, faz uma pausa e de repente me segura no comprimento do braço, me encara.

— O quê?

— Ei, você está bem? Você parece, assim, estranha. Deus meu, você perdeu peso?

Eu pisco afastando as lágrimas.

— José, eu estou bem. Estou tão feliz por você. — Droga, não ele, também.

—Parabéns pela exposição. — Minha voz oscila enquanto vejo a sua preocupação em seu, oh – rosto tão familiar, mas eu tenho que me segurar.

— Como você chegou aqui? — Ele pergunta.

— Christian me trouxe, — digo, de repente, fico apreensiva.

— Oh. — O rosto de José muda e ele me libera. —Onde ele está? — Sua expressão escurece.

— Ali, foi buscar bebidas. — Aceno com a cabeça na direção de Christian e vejo que ele troca gentilezas com alguém que está esperando na fila. Nossos olhares, o meu e de Christian, se cruzam, quando eu olho o seu caminho e os nossos olhos se fixam um no outro. E naquele breve momento, estou paralisada, olhando para um homem incrivelmente bonito, que olha para mim com alguma emoção insondável. Seu olhar quente, queimando em mim, e estamos perdidos por um momento, olhando para o outro.

Macacos me mordam… Este belo homem me quer de volta, e no fundo, dentro de mim, uma doce alegria se desenrola lentamente como uma gloriosa manhã no início da madrugada.

— Ana! — José distrai-me, e eu sou arrastada de volta ao aqui e agora. — Estou tão feliz que você veio a exposição, devo avisá-la…

De repente, a ‘Senhorita de cabelo muito curto e batom vermelho’ corta-o.

—José, o jornalista do Portland Printz está aqui para vê-lo. Vamos. — Ela me dá um sorriso educado.

— Como isso é legal? A fama. — Ele sorri, e eu não posso deixar de sorrir de volta, ele está tão feliz. — Vejo-a mais tarde, Ana. — Ele beija minha bochecha, e eu o vejo sair com uma jovem mulher, ao lado de um fotógrafo alto e magro.

As fotografias de José estão em toda parte, e em alguns casos, explodindo em telas enormes. Há fotos em preto e branco; e coloridas. Há uma beleza etérea em muitas das paisagens. Em uma tela está o  lago de Vancouver, retratando o início da noite e as nuvens cor de rosa são refletidas na quietude da água. Resumidamente,  eu  estou  transportada  pela  tranquilidade  e  paz.  É impressionante.

Christian se junta a mim, e eu respiro fundo e engulo, tentando recuperar um pouco do meu equilíbrio anterior. Ele me dá meu copo de vinho branco.

— Sera que está a altura? — Minha voz soa mais que normal. Ele olha intrigado para mim.

— O vinho.

— Não. Raramente o fazem nestes tipos de eventos. O menino é muito talentoso, não é? — Christian está admirando a foto do lago.

— Por que outra razão você acha que eu lhe pedi para tirar seu retrato? — Eu não posso disfarçar o orgulho em minha voz. Seus olhos deslizam impassíveis da fotografia para mim.

—  Christian  Grey?  —  O  fotógrafo  de  Portland  Printz  se  aproxima  de

Christian. — Posso tirar uma foto sua, senhor?

— Claro.— Christian esconde sua cara de desagrado. Eu passo para trás, mas ele pega minha mão e me puxa para o seu lado. O fotógrafo olha para nós dois e não pode esconder sua surpresa.

— Sr. Grey, obrigado. — Ele tira um par de fotos. —Senhorita…? — Ele pergunta.

— Steele, — eu respondo.

— Obrigado, Srta. Steele. — Ele vai embora.

— Eu procurei por fotos suas com garotas, na Internet. Não há ninguém. É por isso que Kate achou que você era gay.

Os músculos da boca de Christian se contraíram e mostram um sorriso. — Isso explica a sua pergunta imprópria. Não, eu não tenho encontros, Anastásia somente com você. Mas você sabe disso. — Seus olhos ardem com sinceridade.

— Então, você nunca teve um… — Olho em volta nervosamente para verificar que ninguém pode ouvir-nos — encontro com suas submissas?

— Às vezes. Não eram encontros. Compras, você sabe. — Ele encolhe os ombros, seus olhos não deixam os meus.

Oh, então é só no quarto de jogos, o Quarto Vermelho da Dor, em seu apartamento. Eu não sei o que sinto sobre isso.

— Só você, Anastásia, — ele sussurra.

Eu coro e olho para os meus dedos. À sua maneira, ele se importa comigo.

— Seu amigo aqui parece mais um homem de paisagens, não de retratos. Vamos olhar em volta. — Ele estende sua mão para mim e eu aceito.

Passeamos, observando outras fotos, eu percebo um casal acenando para mim, sorrindo como se eles me conhecessem. Deve ser porque eu estou com Christian, mas um jovem está olhando descaradamente. Estranho.

Nós viramos a esquina, e eu descubro porque eu recebi olhares estranhos. Pendurados na parede agora, estão sete retratos enormes de mim.

Olho fixamente para eles, estupefata, o sangue escorrendo do meu rosto. Eu fazendo: beicinho, rindo, carrancuda, séria, divertida. Tudo em super close-up, tudo em preto e branco.

Oh Droga! Lembro-me de José mexer com a câmera em um par de ocasiões em que ele estava me visitando e quando eu estive com ele como motorista e assistente de fotógrafo. Ele estava apenas tirando fotos, bem, eu pensava deste jeito. Mas ele tirou fotos minhas ao estilo de paparazzi.

Olho para Christian, que está olhando, paralisado, em cada uma das fotos, por sua vez.

— Parece que eu não sou o único, — ele resmunga enigmaticamente, sua boca se aperta em uma linha dura.

Eu acho que ele está com raiva. Ah, não.

— Com licença, — diz ele, prendendo-me com seu olhar brilhante e cinza, por um momento. Ele se vira e se dirige ao balcão da recepção.

Qual é o problema agora? Eu assisto hipnotizada quando ele fala animadamente com a ‘Senhorita cabelo muito curto e batom vermelho’. Ele pega a sua carteira e entrega o seu cartão de crédito.

Merda. Ele deve esta comprando uma destas fotos.

— Ei. Então, você é a musa. Estas fotografias são ótimas. — Um jovem com uma madeixa de cabelo loiro brilhante me assusta. Eu sinto uma mão no meu cotovelo e Christian está de volta.

— Você é um cara de sorte. — O louro sorriu forçado em choque para

Christian, que lhe dá um olhar frio.

— Sim, eu sou, —   ele resmunga de forma enigmática, enquanto ele me puxa para um lado.

— Você acabou de comprar um desses?

— Um desses? — Ele bufa, sem tirar os olhos deles.

— Você comprou mais de um?

Ele revira os olhos. — Eu comprei todos eles, Anastásia. Não quero nenhum olhar estranho e convidativo para você na privacidade de sua casa.

Minha primeira inclinação foi rir. — Você prefere que seja você? — Eu zombo.

Ele olha para mim, pego de surpresa pela minha ousadia, eu acho, mas ele está tentando esconder sua diversão.

— Francamente, sim.

— Pervertido, — eu olho para ele e mordo meu lábio inferior para evitar um sorriso.

Sua boca está aberta e, agora, sua diversão é óbvia. Ele acaricia o queixo, pensativo.

—  Não  é  possível  argumentar  com  essa  afirmação,  Anastásia.  —  Ele balança a cabeça, e seus olhos suavizam com humor.

— Eu discutiria mais com você, mas eu assinei um NDA.

Ele suspira, olhando para mim, com seus olhos escuros. — O que eu gostaria de fazer com a sua boca inteligente, — ele murmura.

Eu suspiro, sabendo muito bem o que significa. — Você é muito rude. — Eu tento parecer chocada e tenho sucesso. Será que ele não tem limites?

Ele sorri para mim, divertido, e, em seguida, ele franze a testa.

— Você parece muito descontraída nessas fotografias, Anastásia. Eu não a vejo muitas vezes assim.

O quê? Opa! Vamos mudar de assunto nessa conversa sobre não-conclusão lógica de brincalhão a sério.

Eu ruborizo e olho para os meus dedos. Ele ergue a minha cabeça, e eu inalo fortemente no contato com seus longos dedos.

— Eu quero que você relaxe comigo, — ele sussurra. Todo traço de humor já passou.

Dentro de mim essa alegria agita novamente. Mas como isto pode ser? Nós temos problemas.

— Você tem que parar de me intimidar se você quer isso, — eu disparo.

— Você tem que aprender a se comunicar e me dizer como você se sente, — ele dispara de volta, com os olhos em chamas.

Eu respiro fundo. — Christian, você me queria como uma submissa. É aí que reside o problema. É na definição de uma submissa, que mandou por e-mail para mim uma vez. — Eu paro, tentando lembrar as palavras. —Eu acho que os sinônimos eram. Eu cito,— compatível, flexível, passível, passiva, resignada, paciente, dócil, mansa, suave. Eu não deveria olhar para você. Não deveria falar com você a menos que você me desse permissão para fazê-lo. O que você espera?

— Eu sibilo para ele.

Ele pisca, e sua carranca aprofunda enquanto eu continuo.

— É muito confuso estar com você. Você não quer que eu o desafie, mas você gosta da minha ‘boca inteligente’. Você quer obediência, caso contrário, você pode me punir. Eu só não sei qual o caminho seguir quando estou com você.

Ele aperta os olhos. — Bom ponto, como de costume, Srta. Steele. — Sua voz é frígida. — Vem, vamos comer.

— Nós só estamos aqui a meia hora.

— Você viu as fotos, você já falou com o menino.

— Seu nome é José.

— Você falou com José, o homem que, a última vez que eu o vi, estava tentando empurrar a sua língua em sua boca relutante, enquanto você estava bêbada e passando mal, — ele rosna.

— Ele nunca me bateu, — eu cuspi nele.

Christian fez uma cara feia para mim, a fúria emana de cada poro. — Isso é um golpe baixo, Anastásia, — ele sussurra ameaçadoramente.

Eu fico passada, e Christian passa as mãos pelos cabelos, cheio de raiva mal contida. Eu o encaro de volta.

— Eu vou levar você para comer alguma coisa. Você está desaparecendo na minha frente. Encontre o menino e diga adeus.

— Por favor, podemos ficar mais tempo?

— Não. Vamos agora. Diga adeus.

Eu o encaro, com o meu sangue fervendo. Sr. Maldito Controle Doentio. Raiva é bom. Raiva é melhor do que lágrimas.

Eu arrasto o meu olhar para longe dele e vou procurar José. Ele está falando com um grupo de mulheres jovens. Eu fui em sua direção e para longe de Cinquenta. Só porque ele me trouxe aqui, eu tenho que fazer como ele diz? Quem diabos ele pensa que é?

As meninas estão penduradas em cada palavra de José. Uma delas suspira quando me aproximo, sem dúvida reconhecendo-me dos retratos.

— José.

— Ana. Com licença, meninas. — José sorri para elas e coloca o braço em volta de mim, e em algum nível eu estou divertida, José está muito atraente, impressionando as meninas.

— Você parece zangada, — ele diz.

— Eu tenho que ir, — eu murmurar teimosamente.

— Você acabou de chegar aqui.

— Eu sei, mas Christian precisa voltar. As fotos estão fantásticas, José, você é muito talentoso.

Ele sorri.

— Foi muito legal vê-la.

José me agarra, e me dá um abraço de urso, girando-me para que eu possa ver Christian em toda a galeria. Ele está chateado, e eu percebo que é porque eu estou nos braços de José. Assim, em uma jogada muito calculista, eu envolvo meus braços ao redor do pescoço de José. Eu acho que Christian está prestes a explodir. O seu olhar escurece a algo muito sinistro, e, lentamente, ele faz o seu caminho em direção a nós.

— Obrigado pelo aviso sobre os meus retratos, — eu murmuro.

— Merda. Desculpe, Ana. Eu devia ter lhe contado. Você gosta deles?

— Umm… Eu não sei, — eu respondo com sinceridade, momentaneamente perco o equilíbrio por sua pergunta.

— Bem, eles foram todos vendidos, então alguém gosta deles. Viu como isso é legal? Você é uma garota-propaganda. — Ele me abraça mais apertado ainda, enquanto Christian chega até nós, encarando-me agora, embora, felizmente, José não vê.

José me libera.

— Não suma, Ana. Oh, Sr. Grey, boa noite.

— Mr. Rodriguez, muito impressionante. — Christian soa friamente educado. — Sinto muito, não podemos ficar mais tempo, mas precisamos voltar para Seattle. Anastásia? — Ele salienta sutilmente e pega a minha mão enquanto faz isso.

— Adeus, José. Parabéns novamente. — Dou-lhe um beijo rápido na bochecha, e antes que eu perceba Christian me arrastar para fora do prédio. Eu sei que ele está fervendo de ira silenciosa, mas eu também.

Ele olha rapidamente para cima e para baixo da rua então vai para a esquerda e de repente, me arrasta para um beco, abruptamente me empurrando contra a parede. Ele pega meu rosto entre suas mãos, forçando-me a olhar para cima em seus olhos ardentes e determinados.

Eu suspiro, e sua boca desce rapidamente. Ele está me beijando, violentamente. Resumidamente, um confronto de dentes, em seguida, sua língua entra na minha boca.

O desejo explode como um Quatro de Julho em todo meu corpo, e eu estou beijando-o de volta, com todo fervor, enterrando minhas mãos em seus cabelos, puxando-o com força. Ele geme, um som baixo e sexy, vindo do fundo de sua garganta que ecoa através de mim, e sua mão se move para baixo do meu corpo puxando para cima a minha coxa, os dedos cavando em minha carne através do vestido ameixa.

Eu derramo toda a angústia e sofrimento neste beijo, vinculando-o a mim, e neste momento uma paixão cega me atinge, ele está fazendo o mesmo, ele sente o mesmo.

Ele interrompe o beijo, ofegante. Seus olhos estão iluminados com o desejo, acendendo meu sangue já aquecido que está batendo no meu corpo. Minha boca está perto e eu tento sugar o precioso ar em meus pulmões.

— Você. É. Minha. — ele rosna, enfatizando cada palavra. Ele se empurra para longe de mim e se curva, com as mãos sobre os joelhos, como se ele tivesse corrido uma maratona. —Pelo amor de Deus, Ana.

Eu me inclino contra a parede, ofegante, tentando controlar a reação desenfreada no meu corpo, tentando encontrar o meu equilíbrio novamente.

— Sinto muito, — eu sussurro, uma vez minha respiração voltou.

— Você deveria sentir. Eu sei que você estava fazendo. Você quer aquele fotógrafo, Anastásia? Ele, obviamente, tem sentimentos por você.

Eu ruborizo e sacudo a cabeça.

— Não. Ele é apenas um amigo.

— Passei toda a minha vida adulta tentando evitar qualquer emoção extrema. Mas você… você desperta em mim sentimentos que são completamente alheios. É muito… — Ele franze a testa, agarrando cada palavra. —Inquietante.

— Eu gosto de controle, Ana, e perto de você ele…, — ele destaca, o seu olhar intenso —… Evapora. — Ele acena a mão vagamente, em seguida, passa-a através de seu cabelo e dá um suspiro profundo. Ele aperta a minha mão.

— Venha, nós precisamos conversar, e você precisa comer.

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