15/03/2017

Resenha #47
Eu te amo para sempre - Luciane Monteiro by @annacms_autora

Título: Eu te amo para sempre
Autor (a): Luciane Monteiro
Lançamento: 2014
Editora: Lexia
Páginas: 284
Literatura: Nacional
Gênero: Romance
Estrelas: 5/5

Sinopse: O amor é realmente um grande desafio. Tantas histórias que não conseguem seguir em frente, tantos impedimentos que surgem interrompendo essas histórias. Às vezes uma pessoa, às vezes uma circunstância, às vezes um mal entendido, às vezes a morte, às vezes a própria vida. Existem lindas histórias de amor onde os caminhos escolhidos não permitem que se sigam juntos, que as escolhas os afastam para sempre. Mas e o amor? O que se faz com amor?
Não adianta simplesmente mandá-lo embora. Ele fica ali perdido, dolorido, fragilizado, mas ele fica. Pode-se tentar oprimi-lo, disfarçá-lo, esquecê-lo, mas sempre que tiver uma oportunidade, ele volta e acende. Todo amor que não é vivido até seu fim, ou até a sua morte, ou eternamente, continua vivendo pelo tempo que achar necessário. Pode ficar guardado, mas continua sendo amor. E o pior é que esse tipo de amor tende a ter a ilusão de que tudo seria perfeito se tivesse dado certo, se tivesse sido vivido. E então ele se alimenta da sua própria ilusão, de sua própria história.


Quem diria que um dia eu fosse odiar tartarugas marinhas?!

As pessoas que me são próximas, e me conhecem bem, sabem que eu simplesmente amo tartarugas marinhas. Eu sempre admirei o fato delas nadarem quilômetros ao longo de suas vidas, cruzando oceanos sem fim e um dia retornarem fiéis à mesma praia em que nasceram a fim de desovar e assim dar continuidade à espécie. Essa fidelidade sempre me encantou!

Pois eu nunca imaginei que um romance me faria, um dia, odiar estes incríveis animais aquáticos! Quer entender por quê?! Então, precisa conhecer esta linda história, narrada em terceira pessoa pela minha querida amiga e aluna Luciane Monteiro, a Lú.

Sim, eu tenho contato com a autora. Sim, eu a ameacei de reprovação se o casal de protagonistas não ficasse juntos no final! E sim, a trama te envolve a este ponto de ansiedade até quase as últimas páginas. Isso porque a Lú conseguiu, em seu maravilhoso texto, nos transportar para aquele universo cotidiano e tão brasileiro em que se passa a história. Os personagens, construídos com riquezas de detalhes, são tão próximos a nós... A Liz bem poderia ser aquela menina bonita da igreja que frequentamos, que participa do coral e das dramatizações. O Raul facilmente pode ser reconhecido naquele rapaz que senta ao nosso lado no ônibus, no caminho do trabalho para a universidade naquele fim da tarde exausto.

Liziane e Raul se apaixonam ainda jovens e se tornam os primeiros namorados da vida um do outro. Contudo, seus destinos se separam entre intrigas, ciúmes e sonhos profissionais, que custaram muito caro aos dois. Custou um lar que eles vislumbravam, os filhos que jamais tiveram e puderam criar juntos, e a vida que passou como um borrão. Eu disse a Lú que não faria a mesma escolha que a Liz fez, porém não a julgo. Se por um lado a decisão a afastou do amor de sua vida, por outro fez dela uma mulher forte e empoderada, que coloca a razão acima das emoções. Não uma pessoa fria por isso, uma vez que sonhos – ainda que profissionais – também são movidos pela paixão.

A narrativa se inicia com Liz re-experimentando, re-vivendo e re-lembrando tudo no dia de seu aniversário. E logo a pergunta que o leitor se faz é por que este aniversário em especial está sendo tratado assim, de forma tão nostálgica? No entanto, esta pergunta só será respondida nas páginas finais. Liz remexe em sua caixa de recordações e tira o pó, varre para fora o que ficara escondido embaixo do tapete, descobre os móveis abandonados, cobertos com lençóis brancos e passa a limpo todos seus sentimentos e experiências. Reminiscências de uma vida inteira são reveladas fisgando de vez o leitor, principalmente quando seu destino reencontra Raul, vinte anos depois, já casado e com filhos – um inclusive deficiente. As cartas que eles trocam nos deixam claro o quanto a autora colocou de si mesma nelas. De seu amor, de suas vivências, decepções, esperanças e emoções mais contidas; tamanha a sensibilidade, o rasgo que elas nos abrem o peito.

Com maestria simples e sem floreios, a Lú nos mostra as várias facetas do amor, e que eu inclusive disse isso a ela – algumas subtramas poderiam servir de debate para alunos de Psicologia. Pode o amor durar uma vida inteira de (des/re)encontros?! Pode o amor fraterno mudar e se tornar marital, ou um casal buscar no amor marital base para formar uma família, tamanho o amor à primeira vista que tiveram por um casalzinho de irmãos, que sofriam maus tratos pela mãe bêbada e viciada? Como superar a perda de um grande e eterno amor?...

Eu ainda me pergunto se a Lú problematizou tudo isso ao escrever ou apenas deixou o barco das suas emoções correr livremente?!

O texto é predominantemente narrativo, um pouco descritivo e com poucos diálogos, talvez porque a Liz está lembrando-se de tudo, mas não narrando! Só os diálogos principais e decisivos estão lá e eu confesso que reclamei com ela porque senti falta de um em especial – o que sempre é uma boa oportunidade para escrever a fanfic narrando como teria sido aquela primeira ligação entre os dois! hehehe **velhos hábitos nunca morrem!**

Então, eu super recomendo Eu te amo para sempre e carimbo com as minhas cinco estrelinhas porque todas conferiram: emoção, sorriso idiota no rosto, tentar imitar os mesmos gestos, desespero de não conseguir largar e, finalmente, a boa e velha ressaca literária!
Obrigada pelo presente, Lú! Mais de um ano após você ter me presenteado com o livro, cumpro aqui minha promessa: li e resenhei! E parabéns pela linda história que você criou!

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