17/09/2017

Resenha #89
A Lista do Nunca - Koethi Zan @EditoraParalela

Título: A Lista do Nunca
Autor (a): Koethi Zan
Lançamento: 2013
Estante: Skoob - GoodReads
Páginas: 272
Editora: Paralela
Literatura: Estrangeira
Gênero: Romance, Thriller
Estrelas: 5/5
Depois de um acidente de carro que sofreram quando ainda tinham dez anos, Sarah e Jennifer, amigas inseparáveis, passaram anos escrevendo o que chamaram de Lista do Nunca: uma lista de ações e atitudes que deveriam ser evitadas, a qualquer custo, para que se mantivessem sãs e salvas.
Numa noite, no entanto, ao entrarem em um táxi, o destino das duas garotas as levou a um lugar que certamente não considerariam nem um pouco seguro. Sequestradas por um homem frio e adepto do sadismo, elas ficam acorrentadas em um porão com mais duas garotas por três anos.
Dez anos depois de conseguir fugir, Sarah ainda tenta levar uma vida normal. Seu contato com pessoas se limita ao porteiro que diariamente entrega o que ela precisa para sobreviver e à sua psicóloga, que tenta ajudá-la a enfrentar cada novo dia.
Seu sequestrador, porém, está prestes a conseguir uma condicional e, mais do que preparar um belo discurso de vítima, Sarah sente que este é o momento de agir. Para isso, vai enfrentar seus terríveis traumas em busca de uma história que nunca fora revelada
Eu sei que essa resenha deveria ter saído há algum tempo, já que esse livro foi um dos livros que eu li na Maratona Literária de Inverno, mas eu tô trazendo ela agora para vocês e eu vou explicar o porque durante a resenha. Então leiam, entendam o porquê da demora e tirem suas próprias conclusões.


Primeiro de tudo, esse é um livro muito chocante e impactante, que fará você pensar nele por dias (ou não, sei lá...), eu sei que eu ainda me pego pensando a respeito de certas coisas que aconteceram no livro. E se você gosta de livros que mudam sua maneira de pensar sobre coisas muito sérias, esse é um livro que você deve ler.

A história do livro é basicamente sobre duas amigas de infância, Sarah e Jennifer. Elas cresceram juntas, brincavam juntas, se formaram na escola juntas, faziam tudo juntas. Até que um dia, enquanto elas ainda são crianças, elas sofrem um acidente de carro e a mãe de Jennifer morre. É aí que elas decidem fazer a lista do nunca: uma lista de coisas e situações que elas devem evitar para se manterem seguras. No entanto, com o passar do tempo, essa lista, que inicialmente foi feita numa folha de caderneta de hospital, se transformou em 17 diários com situações doenças, regras e todo tipo de coisas que você possa imaginar que devem ser evitados, hábitos que devem ser adquiridos, tudo para se manterem em segurança.

Quando enfim elas estão na faculdade, após todos os medos e paranoias, eis que a vida resolve pregar uma peça nelas. Quando elas voltavam de uma festa elas são sequestradas e mantidas acorrentadas num porão escuro, sendo torturadas de todas as maneiras possíveis por longos cinco anos.

Assim o livro vai alternando a narrativa entre passado e presente. No presente conhecemos uma Sarah arredia e extremamente antissocial 13 anos após o ocorrido. Sarah é uma pessoa com muitas fobias e traumatizada, ela mora no topo de um arranha céu em NY e a única pessoa com quem mantém contato é com seu porteiro.

No entanto toda sua visa muda quando o detetive responsável pela prisão do homem que a sequestrou e torturou por anos leva para ela uma carta escrita por seu sequestrador. Ele também lhe dá a notícia de que uma audiência que acontecerá em breve pode libertá-lo e que a única coisa que pode evitar isso é o depoimento de Sarah. Ela não quer ter de enfrentar o júri novamente, pois sabe que só conseguirá fazer com que ele pegue prisão perpétua se ela revelar uma parte muito obscura do cativeiro. 

E é assim que Sarah começa a enfrentar seus medos e traumas e decide reconstruir os passos de seu sequestrador. Ela resolve fazer isso por dois motivos, primeiro porque ela que saber o o que realmente aconteceu com Jennifer, pois esse é o maior de seus tormentos da época do cativeiro, não saber o que houve com sua melhor amiga. E segundo, porque ela não pode deixar que o monstro que a sequestrou ganhe a liberdade. 

O cativeiro faz coisas com as pessoas. Mostra que podem ser rasteiras. Que são capazes de fazer qualquer coisa para permanecer vivas e sofrer um pouco menos do que no dia anterior. 

O livro segue alternando entre essa busca de Sarah por lembranças e as lembranças dela. Algumas dessa lembranças são flashs do tempo em que ela estava no cativeiro, outras lembranças de seu tempo ao lado de Jennifer antes do cativeiro. Essa narrativa da autora foi o ponto alto do livro, a maneira como ela intercala todas as lembranças de Sarah nos dá a impressão de que ela realmente entrou na cabeça de Sarah e de mulheres que sofreram o mesmo que ela.

A autora soube levar o livro bem, de forma que a trama evoluísse sem que eu perdesse o interesse pela história (levando em consideração que esse livro está totalmente fora da minha zona de conforto), pelo contrário eu devorei o livro em questão de horas. A agonia que eu senti cada vez que eu tentava imaginar algo e não era nada daquilo só aumentava ainda mais as expectativas e o fato de que Sarah já está solta não muda em nada, já que outra coisa que aumentou minha agonia foi a autora não dar a informação de como ela se soltou (e isso para quem tem a imaginação fértil não foi legal). 

O livro aborda um assunto bem tenso, mas que não é muito falado: a escravidão humana. É mais comum encontrar o tema sendo tratado em filmes e novelas que retratam épocas antigas. A Lista do Nunca retrata o assunto de forma bem real e crua, em vários momentos eu estava sofrendo junto com Sarah, Jennifer e as outras meninas que estavam com elas no porão (sim, haviam outras garotas lá). 

A autora ao mesmo tempo em que ela nos dá detalhes, ela nos poupa dele. Ao invés de detalhar as torturas, ela detalha os resultados dela, algo que, na minha opinião, foi bem pior do que a tortura em si, uma vez que as meninas já estavam arrasadas e com o psicológico em frangalhos e a tortura só fez aumentar isso. Outro ponto interessante do livro é que a autora traça meio que um perfil psicológico do sequestrador, ela não apenas nos diz quem é e esquece dele. Ele, mesmo preso, se faz presente em muitos momentos da história, que, mais uma vez na minha opinião, praticamente gira em torno dele e não da busca de Sarah por Jennifer.

A Lista do Nunca me fez refletir por muito tempo sobre várias coisas. Uma dela é que o que aconteceu com a protagonista pode acontecer com qualquer pessoa, ninguém está imune ao que aconteceu a elas, principalmente da maneira como aconteceu (quem leu o livro deve ter ficado com essa sensação também). Esse é um livro maravilhoso ao mesmo tempo em que é horrível. Maravilhoso porque a leitura é fluida, a história bem construída, a autora levou bem a história e o final é surpreendente e te faz pensar mais ainda. Mas horrível pelo tema tratado, é um tema bem pesado e não é qualquer pessoa que consegue ler esse livro sem se sentir mal.

Eu recomendo muito esse livro, principalmente para quem gosta de livros que te faça pensar e que te mude de alguma maneira (porque esse livro com certeza vai ter mudar de uma aneira bem profunda, ou não). 

Beijos e até a próxima!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MANUSCRITO LITERÁRIO | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © 2016 | POR:
COMPRE AQUI O LAYOUT QUE SEU BLOG MERECEBILLION DOLLAR LAYOUTS