05/12/2017

Resenha #106
O Vilarejo - Raphael Montes @Suma_BR

Título:  O Vilarejo
Autor (a): Raphael Montes
Lançamento: 2015
Estante: Skoob - GoodReads
Páginas: 109
Editora: Suma de Letras
Literatura: Nacional
Gênero: Terror
Estrelas: 4/5

Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.
As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.
O.B.S.: Resenha contendo imagens retiradas da internet, se você detém os direitos dela, favor nos contactar, que daremos os devidos créditos.
Sempre tive curiosidade de ler algum livro do autor tão aclamado pelo BookTube, Raphael Montes.
Devo confessar que tinha receio de ler suas histórias, pois todos seus livros são de um terror peculiar. Quem de vocês ainda não ouviu falar de Jantar Secreto, onde os protagonistas abrem uma espécie de restaurante de carne humana?

Todos seus livros tem um quê de estranheza. E o que me levou a ler O vilarejo, foi sua sinopse ser intrigante e menor em número de páginas do que os demais. Sua premissa me deixou curiosa e claro, resolvi dar o braço a torcer. Pois uma leitura diferente de vez em quando, para nos tirar da zona de conforto, pode ser muito surpreendente.



Raphael Montes começa o livro com uma proposta diferente: conta que não é o autor do livro e sim o tradutor. O livro nada  mais é, do que a tradução de antigos manuscritos de uma velha senhora, já falecida e que sua neta doou seus livros, junto deles estava o caderno com o tal manuscrito.

O livro em si é dividido em 7 contos. Esses podem ser lidos em qualquer ordem, de forma que não afeta a compreensão da história, pois ambos se encaixam de certa forma no final.



Cada conto caracteriza um pecado capital. Ou melhor: um demônio capital. Belzebu (gula), Leviatã (inveja), Mamon (ganância), Belphegor (preguiça), Amon (ira), Lucifer (orgulho), Asmodeus (luxúria). 
Em cada conto há pessoas com esses pecados, tão presentes, que sempre há uma tragédia e coisas tenebrosas.


— Perceba, Anatole, que nunca inseri o pecado ou o mal nas pessoas. O mal
já estava lá. Eu apenas o potencializei.

Antes de continuar a resenha, vou fazer uma observação, pois ao ler esses contos, me veio a mente a lembrança de um desenho que eu assistia na  infância: os 7 monstrinhos. E pesquisando as respectivas imagens dos demônios capitais (Você pode vê-las aqui), é claro que os monstrinhos foram inspirados neles. O que é bem sinistro. Só não é mais sinistro do que o fato de crianças gostarem daquele desenho com seres tão horrendos. Eu inclusive adorava.


Deve ser ressaltado, que, quem se aventura a ler os livros do Raphael tem que ter no mínimo estômago para ir até o fim. As descrições contém muitos detalhes. A narrativa é crua. E ele não prepara o leitor pro que está por vir. Apenas solta coisas atrás das outras. O que pode ser ótimo pra quem gosta desse tipo de livro. Durante a leitura pensei diversas vezes em parar, pois não é o tipo de coisa que tenho prazer em ler, porém, pensava... "Ah só mais esse conto'' e quando vi já havia terminado.

O vilarejo, como diz o título trata-se de um vilarejo, AVA! Onde os habitantes estão morrendo de fome e frio, pois a guerra está desolando as redondezas e o vilarejo fica esquecido.


Não vou me demorar em descrições sobre os personagens pois é  livro curto e qualquer coisa que eu acrescentar poderia dar spoiler.

Porém, o que não falta nesse livro é história. Os personagens são perturbadores, você sente vontade de bater em alguém a todo momento, principalmente aqueles mais preconceituosos. A tia aqui não gosta de vender gato por lebre, então vou ser bem sincera com vocês.  (Contém canibalismo e várias outras coisas perturbadoras, então não digam que eu não avisei).

Sobre a edição do livro, não deixa a desejar, pois é cheia de ilustrações que caracterizam os personagens. Realmente foi um belo trabalho gráfico.


No final realmente tudo se liga, mais o desfecho da história em si não é tão surpreendente, entretanto é bem redondinho e não deixa nada em aberto. O que é bem bem satisfatório. Ouso até dizer que o livro traz alguma reflexão sobre os pecados o que nos leva a pensar mais e se auto avaliar.



— Ela se matou — diz. Estuda o corpo da mulher com desdém. — O pecado
nos mata, meu caro Anatole. Não importa quanto tempo seja preciso. O pecado
nos mata.


Já  no epílogo, Raphael montes dá a cartada que para mim foi crucial para o livro fechar com chave de ouro. Trazendo algo relacionado aos manuscritos e quem os escreveu. Para mim foi a cereja do bolo e que me fez arrepiar da cabeça aos pés durante alguns segundos.



Fiquei confusa com o fato de o autor dizer que na verdade é tradutor do livro e pesquisei sobre, descobrindo então que, Raphael Montes realmente escreveu O Vilarejo (o que é visível em alguns trechos do livro por conta de algumas expressões). Mas ele ter criado esse cenário todo só me faz, pensar: que puta autor viu!

Pra quem gosta do gênero o livro esta mais que recomendado, e para aqueles curiosos como eu, se aventurem com calma, companheiros.

Vejam a serenidade no olhar de quem escreveu esse livrinho leve:


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