Resenha #130
Dois Garotos Se Beijando - David Levithan @galerarecord

Título: Dois Garotos Se Beijando
Autor (a): David Levithan
Lançamento: 2015
Estante: Skoob
Páginas: 224
Editora:  Galera
Literatura: Estrangeira
Gênero: Romance, Jovem Adulto, LGBT
Estrelas: 5/5

Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.

Atualmente, um dos meus autores preferidos é o David Levithan. Com livros sempre cheios de significados e muito fofos, personagens cativantes e histórias extremamente comoventes, o autor se supera a cada livro novo. E eu não posso esperar que a leitura de um livro dele seja menos do que incrível, pois ele consegue superar minhas expectativas a cada nova história que eu leio dele.


Assim, quando eu li Dois Garotos se Beijando eu já esperava um livro maravilhoso, mas ainda assim não sabia ao certo o que esperar da história. Eu não gosto muito de ler a sinopse do livro antes de começar a leitura, primeiro porque eu gosto de me surpreender e segundo porque tem muita sinopse ruim por aí e que tira toda a vontade de ler o livro, assim eu comecei a leitura desse livro sem saber nada a respeito dele, além de que era do David Levithan e que contava a história de jovens gays.


Eu não poderia estar mais enganada, essa não é apenas uma história sobre dois jovens gays. É uma história de aceitação, de aprendizado com os erros do passado (mesmo que não tenham sido nossos erros) e, acima de tudo, sobre o amor, seja ele da forma que for.

O silêncio é igual à morte, nós dizíamos. E por baixo disso havia a suposição, o medo de que a morte fosse igual ao silêncio.
Pág. 17

Dois Garotos Se Beijando conta a história de Craig e Harry, que estão tentando quebrar o recorde mundial de beijo mais longo e, para isso, precisam ficar 32 horas se beijando sem parar nem para ir ao banheiro ou para comer ou até mesmo para descansar. Eles precisam passar todo esse tempo em pé e na frente das câmeras que testemunharão o feito deles. Mas nada é fácil para eles, que estão ali com o propósito de mostrar ao mundo que dois garotos se beijando não é nada de mais, que são apenas mais um casal comum se beijando e que não devem ser descriminados por isso.


Paralelo a essa história acompanhamos mais algumas histórias de outros garotos que se passam ao mesmo tempo em que os meninos tentam quebrar o recorde mundial. Os protagonistas das outras histórias são Peter e Neil que, apesar de já estarem juntos há algum tempo, enfrentam alguns problemas em casa; Ryan e Avery que se conhecem durante um baile gay que aconteceu a cidade de Ryan e logo se atraem por causa de seus cabelos coloridos; Tariq que ajuda os meninos com os preparativos para a quebra do recorde e durante a quebra; e Cooper, que passa as noites na internet em salas de bate papo com homens de todas as idades, mas sem nunca ter coragem de conhecer alguém pessoalmente e que agora precisa lidar com a descoberta da família.

A primeira coisa que chama a atenção no livro é a narrativa diferenciada,onde nossos narradores são toda uma geração de pessoas que morreram por causa da AIDS, se tornando assim espectadores da vida desses jovens. Eles acompanham a vida desses oito garotos e numa só voz nos contam a história desses meninos que, apesar de serem de uma época diferente da deles, sofrem os mesmos preconceitos. 

Você gasta tanto tempo e tanto esforço tentando se manter firme. 

E então, tudo desmorona de qualquer jeito.
Pág. 36

Os personagens criados pelo David Levithan são maravilhosos e durante a história vamos conhecendo um pouco mais deles e de suas vidas uma vez que o foco da história é revezado entre os personagens. Levithan, na forma do narrador, nos mostra com tamanha sensibilidade os sentimentos que cada personagem está sentindo naquele momento, seus medos e também seu desejos de poder se mostrar ao mundo da maneira que realmente são, sem a necessidade de  esconder uma parte de si.


Com histórias únicas e personalidades diferentes, cada um com um trauma ou problema diferente sendo mostrados pelo narrador, foi bem difícil não me apaixonar e sofrer por cada um deles. Mas meus favoritos foram Ryan e Avery. Eles são um casal muito fofo e a evolução deles é bem visível (não que a dos outros não seja). Eles vão se conhecendo aos poucos e a relação deles vai evoluindo de maneira natural, nada forçado, e eles acabam encontrando seus portos seguros um no outro. Avery com seu jeito me cativou muito mais do que os outros, eu amei eles também, mas se eu tivesse que proteger só um deles seria o Avery.

Talvez seja por isso que nós gostamos tanto de observar vocês. Tudo ainda é novo para vocês. Já passamos por toda a experiência, apesar de testemunharmos coisas novas o tempo todo. Mas vocês. Novidade não é só um fato. Novidade pode ser uma emoção.
Pág. 168
David Levithan nos presenteou com um hino em formato de livro, repleto de quotes e com uma sensibilidade incrível. A diagramação do livro está boa, as folhas são amareladas o que  ajuda na leitura (sou cega e folhas brancas não ajudam na leitura). A capa é maravilhosa, amo o tom de azul que escolheram e a imagem dos dois garotos se beijando formada por palavras ficou linda. Eu recomendo esse livro quinhentas mil vezes, eu acho que essa deveria ser uma leitura obrigatória para todas as pessoas, quem sabe assim o mundo fosse um pouco menos feio. 

beijos e até a próxima!

Nenhum comentário:

Postar um comentário