Título: A menina Submersa
Autor (a): Caitlín R. Kiernan
Lançamento: 2015
Páginas: 320
Estante: Skoob
Compra: Amazon
Editora: DarksideBooks
Literatura: Estrangeira
Gênero: Fantasia, Horror
Estrelas: 4/5


Com uma narração intrigante, não linear e uma prosa magnífica, Caitlín vai moldando a sua obsessiva personagem. Imp é uma narradora não confiável e que testa o leitor durante toda a viagem, interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários durante a narrativa. Ao fazer isso, a autora consegue criar algo inteiramente novo dentro do mundo do horror, da fantasia e do thriller psicológico.


“Vou escrever uma história de fantasmas agora”, ela datilografou. 
“Uma história de fantasmas com uma sereia e um lobo”, datilografou mais uma vez. Eu também datilografei." 
Calminha aí India Morgan Phelps, ou melhor, um pouco mais de intimidade para nos duas, pois depois de tanta confusão na minha inocente mente eu mereço. Calminha aí “Imp.” Como gosta de ser chamada.

O trecho acima é só uma pequena amostra do que veremos entre páginas. E sim eu levei uma rasteira e no chão fiquei.


O livro se trata de uma narrativa, Imp é uma garota de vinte e poucos anos, sensível, amante dos livros, dos vinis (herdados por sua mãe) e por suas pinturas. Ela sofre de esquizofrenia desorganizada assim como sua mãe e sua avó, então meus amigos saibam que vamos habitar no desconhecido em uma mente nada confiável que se camufla e se metamorfa em um estalar de dedos.

"Todos os começos são arbitrários"

Como nem tudo são flores, há uma barreira que nos impede de ver o concreto, a real situação de sua realidade, nunca sabemos o que verdadeiramente se passa em sua mente, “sua memória não é confiável” ela mesmo frisa, e esse é o grande lance da narrativa, nunca sabemos onde estamos ou para onde iremos, ela vai do passado ao presente em uma constante.


Imp é lésbica e tem uma namorada a Abalyn que é Trans e Bi, mas o legal disso tudo é que essas características não são exploradas pela autora e se torna totalmente imparcial ao contexto da historia, isso foi um spoiler, infelizmente se torna impossível falar da protagonista sem cometer esse ato.

“Será que eu sou uma louca que apenas transfere seus delírios e consciência perturbada para a palavra escrita?”

Um livro dentro do livro, uma história dentro da história, uma narradora narrando a própria história, legal né, porém confuso demais, por outro lado faz você sair da sua zona de conforto. 


A leitura é pouco convidativa, pois é tudo muito tortuoso, tive que voltar alguns trechos do livro pois não compreendia o que estava sendo narrado, até que um belo dia, ops... uma bela noite, Imp sai com seu carro para um a passeio a rodovia 122 e tchanram, EVA CANNING, ela encontra a Eva Canning nua parada na rodovia, e depois disso tudo se desgraça de vez, ou melhor dizendo, tudo melhora, desse ponto em diante a leitura fica mais complexa, densa, tensa, e então podemos perceber um norte e um desfecho para toda essa confusão. Obrigada Eva. A Eva Canning é a chave de toda a paranoia da Imp, a resposta para alguns de seus dilemas e fantasmas.


Romance? Talvez. Ação? Certamente que não. Final feliz? Ainda tentando digerir, sem repostas por enquanto.

Entenda mais sobre a mente desgraçada da Imp.

"Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagados pelo tempo.” (Pg:23) 

“Mas a parte triste das janelas é que a maioria delas abre para os dois lados. Elas permitem que você olhe para fora, mas também deixam que alguma outra coisa que acontece olhe para dentro.” (Pg:25) 


“A normalidade é um comprimido amargo do qual reclamamos.” (Pg:72) 

“Eu pinto o que não pode ser fotografado, isso que vem da imaginação ou dos sonhos ou de um impulso inconsciente.” (Pg:251) 

“ O amor está observando alguém morrer.” (Pg:292)

Parando por aqui" digitei.

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