Título: O ódio que você semeia
Autor (a): Angie Thomas 
Estante: Skoob - Goodreads

Lançamento: 2017
Páginas: 
378
Editora: Galera
Literatura: Estrangeira
Gênero: Romance, Young Adult,
Estrelas: 5/5
Compra: Amazon

Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos.
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.Não faça movimentos bruscos.Deixe sempre as mãos à mostra.Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente.Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar



É uma grande responsabilidade falar sobre o Ódio que você semeia, por ser um livro tão adorado e que a maioria dos leitores favoritaram e deram 5 estrelas, é raro ler uma resenha que não descreva o livro como Impactante. Por isso é difícil descrever resumidamente quantas lições e emoções esperam o leitor nesse livro. 

Em O Ódio que você semeia somos apresentados a Star, uma garota negra de 16 anos, que mora em um bairro pobre (um gueto como ela mesma chama), onde as drogas circulam livremente. Star e seus dois irmãos estudam num bairro próximo. Um bairro rico, digamos assim. Onde a maioria dos alunos são brancos. Nessa escola, a garota assume uma postura diferente, não usa gírias, nem age de forma que pensem que ela é "a garota negra, favelada, daquele bairro lá". Além do mais, Star namora um garoto branco, coisa que seu pai não precisa saber, por hora.

Já vi acontecer um monte de vezes uma pessoa negra é morta só por ser negra e o mundo vira um inferno. Já usei hashtags de luto no Twitter, reposteiro fotos no Tumblr e assinei todos os abaixo-assinado que vi por aí. Eu sempre disse que, se visse acontecer com alguém, minha voz seria a mais alta e garantiria que o mundo soubesse o que aconteceu. Agora, sou essa pessoa, e estou morrendo de medo de falar.

Mas isso se tornará o menor dos problemas depois do que está prestes a acontecer. 

O livro é narrado em primeira pessoa por Star, e no primeiro capítulo, ela está em uma festa junto com uma amiga, quando reencontra o seu amigo de infância, Kahlill. Papo vai, papo vem... Os dois escutam tiros e acham melhor dar o fora daquela festa. Kahllil oferece carona para star e os dois seguem para casa. Até que uma viatura policial começa a seguir o carro deles e dá sinal para pararem.

Star sabe como agir naquela situação, afinal foi o que seu pai lhe ensinou quando ela completou 12 anos: como agir diante de um policial. Não fazer movimentos bruscos, manter as mãos visíveis e só falar quando lhe perguntarem algo. A garota torce para que alguém também tenha tido essa conversa com Kahllil.

Quando o policial revista o adolescente e sai para checar a carteira de motorista, Kahlill se abaixa para ver como está Star dentro do carro e o policial acha esse um bom motivo para lhe dar 3 tiros nas costas.

Khalil foi silenciado, mas vamos nos juntar e fazer com que nossas vozes sejam ouvidas em seu nome.

Assim a cena se repete, Star vê seu amigo morto no chão coberto de sangue, assim como viu sua amiga Natasha, 6 anos atrás. 

A partir daí acompanhamos a vida de Star como a única testemunha do assassinato. Como, na sua cabeça confusa, ela quer buscar por justiça ao mesmo tempo que quer se proteger. 

Existe mais preconceito e racismo do que podemos ver e imaginar, em todo lugar. Como o título original diz: The Hate U Give que é um trecho de uma letra do rapper 2pac, pelo qual a autora é muito fã, a tradução significa: O ódio que você semeia para as criancinhas fode todo mundo. Sua abreviatura é a sigla tão famosa Thug Life, e realmente algo a nos fazer pensar. 

O livro ganhará adaptação para o cinema e seu elenco já foi escolhido. Quem irá interpretar Star será a atriz. Amandla Stenberg, a Rue, de Jogos vorazes (a garotinha que me fez chorar em uma cena que, se você assistiu, saberá do que estou falando) e também a protagonista principal do filme Tudo e todas as coisas. 

- Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo, Starr. Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo.

Angie Thomas soube escrever ficção de uma forma muito realista, mostrando a realidade da protagonista assim como é a vida de pessoas negras. Soube dosar humor no livro para deixar a leitura mais leve e criou personagens cativantes. A família de Star é muito unida, seus pais a protegem e apoiam incondicionalmente. 

Sem dúvidas é um livro reflexivo, quebra tabus, e que deveria ser uma leitura obrigatória. Não deixem de ler.

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